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Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando. Até que não caibo em mim e estouro em palavras. (Clarice Lispector)

sábado, 12 de julho de 2014

Felicidade de plástico

Então você acha mesmo que essa felicidade toda é real? Perguntou-lhe um desconhecido. Ela era de fato uma sonhadora, é verdade, mas nunca havia parado para pensar sobre isso, para ela era tudo tão lindo, tão romântico, os casais apaixonados nos parques, aqueles filmes quase sempre com final feliz.
Mas e a vida real?
Aquele choque de realidade lhe causou imensa angústia. No fundo ela já sabia que era assim, tudo não passava de um acordo social, um contrato, no qual todas as cláusulas eram implícitas e aqueles sorrisos plásticos faziam parte do papel representado pela grande maioria, se não todos.
Ah mas como se adaptar a esse mundo, pensou ela e suspirou.
As pessoas parecem se acostumar e isso ela não conseguia fazer, às vezes até tentava, é verdade, mas sem obter êxito. Ela gostava do quente, do fogo, daquela brasa que se instala nos estômagos apaixonados e por isso ela era tão incompreendida.

Fim.
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