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Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando. Até que não caibo em mim e estouro em palavras. (Clarice Lispector)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Não confunda


E tudo o que tinha era o tempo e isso não era pouco. Talvez se o tempo conspirasse à seu favor ela praticaria a paciência que lhe era tão rara, mas tudo o que havia eram rompantes de insensatez e alguns lenços de papel espalhados pela casa.
Não a culpo por isso, na verdade já não havia muitas esperanças, mas quem precisa de esperança quando aquela sensação de borboletas no estômago toma conta não só do estômago, mas de todo o resto do corpo.
Tudo o que ela queria era poder realizar aqueles pensamentos que insistiam em acompanhá-la. Tudo estava planejado, ela o faria tão feliz e ambos se completariam como dois corpos sedentos de amor, porém havia um detalhe que impedia que tudo acontecesse, um detalhe que poderia fazer toda a diferença, mas dadas as circunstâncias, era irrelevante.
E quem se atreve a julgar ou condenar um sentimento imensurável como esse?
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