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Eu vou me acumulando, me acumulando, me acumulando. Até que não caibo em mim e estouro em palavras. (Clarice Lispector)

sábado, 31 de julho de 2010

"Ela"

Ela tinha tantas perguntas, e não encontrava as respostas. Ela esperava tanto, mas o que a esperava eram os desencontros que a vida sempre se encarregava de lhe oferecer. Talvez ela devesse agradecer mais pelo que tinha e se contentar com o óbvio ou não.
Mas como pedir coerência ou contentamento a alguém com a mente tão inscontânte e incerta, seria o mesmo que pedissem pra um pássaro que se acostumou a ser livre a viver em uma gaiola, mas isso é mais comum do que se pensa, e as gaiolas estão por todos os lados, basta olhar em volta. 
O problema é que ela jamais se contentou com o óbvio e muito menos com "pouco", ela queria sempre mais, não a culpo por isso, todo mundo tem o direito de querer o melhor, mesmo que isso seja incompreensível para alguns. As pessoas costumam ser egoístas e o que é pouco pra mim, pode ser muito pra você, acho que é isso que ela pensava.
Tudo é relativo, e se houver bons argumentos você pode até me convencer que eu estou errada, mas o que penso bem aqui dentro vai continuar o mesmo. Não acho que era muito o que ela queria. Talvez fosse apenas que adivinhassem o pensamento dela e fizessem aquilo que ela esperava, mas como disse, o que pra mim é pouco pra você pode ser muito. Ta aí a diferença que faz toda a diferença.
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